domingo, abril 15, 2012

O prazer de agradecer


"Gratidão é dívida", é um ditado muito conhecido, mas que eu considero totalmente despido de razão. Quando faço uma acção, nunca penso que a pessoa "beneficiada" ou alvo da minha acção fique me devendo qualquer coisa. Nem o esperado "obrigado", que, na verdade, cai sempre bem.

Quando decido fazer uma acção em relação ao meu próximo, nunca penso em deixá-lo em dívida, mas sim no prazer que tenho em fazer essa mesma acção.

Neste último ano, fui alvo de inúmeras e bonitas acções de muitas pessoas, a maioria, creio, conhecidas, mas outras anónimas, pelo menos de acordo com o que vou sabendo aqui e ali.

Pouco mais de um mês após o meu regresso à casa, tenho procurado agradecer a todos que me acompanharam de perto e de longe durante a minha luta contra o câncer.

Comecei por agradecer a Deus, o que faço ainda e farei sempre cada manhã. Também o fiz publicamente a todos os amigos que oraram e que me deram forças pelas mais diversas vias.

Hoje, neste post, desejo manifestar a minha profunda gratidão à minha família de sangue. O que seria de mim em todo este processo se  a Valéria não estivesse ao meu lado da forma como esteve? Vinte e quatro horas por dia, levantando os meus braços sempre que caíam, dando-me força a todo o tempo, se ocupando das nossas filhas, orando sem cessar, tornando alegre e suportável cada minuto, perdendo noites e dias seguidos... Amando-me muito e incondicionalmente.

Com certeza seria bem mais difícil suportar e superar todo esse processo, sem o sorriso constante da Bruna e da Bianca e a alegria de ter juntos o meu filho Diego e o meu enteado Elias, que também estiveram comigo em New Bedford e clamaram a Deus por mim.

Os meus irmãos e cunhados, Lidia, Elisio, Hulda, Beto, Tito e Bia estiveram sempre no que os americanos chamam de "back", cuidando das minhas filhas, nos primeiros dois meses, ajudando na terra em tudo o que eu necessitava, além das ligações telefónicas quase diárias e de  muito joelho no chão.

Os sobrinhos Gérson, Karina, Dárius, Yarri, Hilton e Nayara, cada um à sua maneira, souberam dizer-me que me amavam muito. Não esqueço as muitas viagens da Karina ao Centro de Tratamento e do seu namorado J, nem a paciência da Yarri em cuidar da Bianca e Bruna aqui em Cabo Verde e nos EUA.

Um agradecimento particular e especial ao meu irmão David e cunhada Fatinha que abriram a sua casa em New Bedford, deram tudo o que tinham para que não só pudesse fazer o tratamento em paz e nas melhores condições, como para que me sentisse verdadeiramente em casa. Assim me senti, em casa, com muita liberdade, paz e muito bem ajudado. A Valéria e as minhas filhas também se sentiram em casa. E não é fácil ter, nos EUA, quatro pessoas em casa durante nove meses.

Finalmente, o meu agradecimento à minha mãe, a base de toda essa família - juntamente com o meu pai, já falecido -, que mostrou-nos a todos o caminho da confiança em Deus e no amor familiar. Desde a primeira hora, disse-me para descansar em Deus e, sempre, esteve de joelhos. Para a minha alegria maior, e com a superior ajuda do David e Fatinha, chegou aos EUA três dias antes de ser operado.

Agradeço e oro a Deus por cada um e pela familia que me deu. Sempre terei o prazer de agradecer e não será nenhuma obrigação.

Para mim será sempre um prazer agradecer-vos por tudo, incansavelmente.

6 comentários:

Brito disse...

É assim que se mostra a grandeza de carácter! Tenho muito orgulho em ser teu amigo, Alvarito. Braça pertód!

Álvaro Ludgero Andrade disse...

Prezado Brito, muito obrigado pela visita e lindas palavras. Aprendi com os mais velhos, entre eles, tu. Prometo seguir o teu exemplo também na blogosfera, actualizando este espaço com maior assiduidade. Mantenhas.

King disse...

Que Deus continue te abencoando Paka! As nossas oracoes foram atendidas porque Deus no seu trono esta!!
Nao precisas agradecer porque ''nos ke familia Andrade''! Fomos, somos e seremos sempre unidos!
Abracos

Anónimo disse...

b

Sê feliz!

Fatinha disse...

Oi Mula.... Obrigada pelas lindas palavras. Eu sei que tu e a Val fariam o mesmo por nos. "Nos e que nos ".
Your "baby sister "

Álvaro Ludgero Andrade disse...

Obrigado manos e sobrinhos