domingo, maio 22, 2016

Disponibilidades



Numa primeira volta pelas manchetes desta semana, apesar de todo o "elevado" espírito republicano de 20 de Março e seguintes, dá dó ver o nível de muitos candidatos a candidatos a se mostrarem "disponíveis para serem sondados" para cargos tão importantes que vão a voto dentro de dois a três meses.
Uma leitura profunda, mas elementar, desse posicionamento que invadiu Cabo Verde revela que esses candidatos a candidatos não têm projectos políticos, nem programas para as câmaras municipais às quais concorrem, mas tão somente estão disponíveis para os "jobs" e com o apoio dos partidos do arco do poder porque sozinhos nada representam. Não se pode criar uma plataforma programática nem montar uma equipa em menos de dois meses a tempo de preparar uma campanha minimamente séria. Poderá haver excepções?! O tempo dirá.
Por esta e outras razões, ao contrário do que dizem muitos, considero que temos um poder autárquico fraco, com muitos gestores camarários fracos (há excepções, claro), que apenas ficam à espera que o Governo da sua cor lhes dê boleia ou se posicionam, à partida, como oposição ao Executivo por ser de outra cor política.
O problema não está na legislação ou no tipo de poder autárquico instituído, mas na gestão. Quem sabe e pode fazer faz e mostra o caminho, não fica a chorar, nem vive do "comboio da alegria" do Governo, qualquer que ele for.
O poder autárquico pode ser um espaço de afirmação da cidadania que tanto grita nas ilhas, mas para tal pode estar a faltar consciência cidadã dos líderes e dos próprios cidadãos. E os partidos, também, não gostam disso: ou se afirmam como tais e apresentam os seus candidatos ou camuflam em grupos, alianças e associações pseudo-independentes.
Haverá uma terceira via?

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